Tempo...
- 1 de mar. de 2016
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Pensei que meu tempo era eterno, que entre meus cabelos não estariam presentes fios brancos e que a cada aniversário – depois dos trinta – viriam cobertos de pouco entusiasmo. Por hora, decidi sonhar com os anos que passariam lentamente e com uma vida que não fosse resumida em crescer, lutar por um status invejável, envelhecer e permitir a alma ir embora.
Precisei acordar e percebi que esse tempo é mais. Há muito mais sentido em envelhecer nessa contemporaneidade louca. Trinta e um anos passaram. Através do espelho e de fotos armazenadas em pastas organizadas por datas no notebook, me enxerguei. Admiti a sorte de estar convivendo com marcas de expressões e rugas trazidas de uma maneira maravilhosa pelo tempo. Velho é esse preconceito que julga e impõe como as pessoas devem ou não amar.
Envelhecer hoje é mais fácil, menos doloroso. Desfrutamos memórias através dos álbuns fotográficos e com hábitos saudáveis adotados, vivemos mais e mais próximos dos laços afetivos que consideramos indispensáveis e isso automaticamente nos faz transbordar entusiasmo em todos os aniversários.
O envelhecer hoje em dia nos dá a chance de resgatar sonhos engavetados, tecnologias acessíveis e distâncias amenizadas.
Que privilégio!
Envelhecer não dói. Daqui a pouco envelheci. Me orgulho de quem fui e das bagagens que carrego? Sim, essa contemporaneidade maluca me ajudou e vivi tudo o que sonhei.
Liliane Maria Inácia



















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